Sustentabilidade: Até Que Ponto Contribuis, Mesmo?

A sustentabilidade do nosso planeta começa numa ida a um WC público. Ou numa ida ao parque da cidade. Ou num passeio turístico. Os gestos mais pequenos são o espelho da sociedade em que vivemos. Partilhar nas redes sociais imagens chocantes de ursos polares, desflorestação, lixo nas praias, etc, de nada adianta, se no nosso dia a dia não contribuímos minimamente para um mundo melhor. Pelo contrário, só contribui para aumentar o ódio, a violência e a depressão em que estamos todos mergulhados.

Na era do descartável, fala-se muito em sustentabilidade, o que eu acho curioso. Parece-me que falar em sustentabilidade é uma forma que os humanos arranjaram para se “lavarem” dos seus atos no dia a dia. “Se eu falar em sustentabilidade, sinto-me limpo mentalmente e demonstro a minha preocupação pelo planeta.” Bullshit!

Tudo isso se transforma em hipocrisia um segundo a seguir, quando depois de fumar um cigarro o deitam, sem qualquer preocupação, para o chão e ainda cospem a seguir. É hipócrita ensinar uma criança a plantar uma árvore, numa atividade muito gira e ecológica, e a seguir deitar plástico, cartão, metal, restos de comida e papel no mesmo contentor. É hipocrisia falar em poluição quando preferimos um carro a diesel. É muito hipócrita falar em tudo isso e parecer uma pessoa impecável e desprovida de maus hábitos, quando nem numa ida ao shopping são capazes de recolher o tabuleiro sujo depois da refeição, quando existem sítios próprios para os deixar.

Contribuir para a sustentabilidade do planeta é pensar no outro, na pessoa que passa ao nosso lado na rua. Contribuir para um mundo sustentável é querer, verdadeiramente, deixá-lo melhor do que quando o encontramos. Contribuir para a sustentabilidade do planeta é tratar os espaços públicos como se fosse a nossa casa em dia de receber visitas. É pensar num espaço público como a nossa própria casa e os desconhecidos que passam como convidados. Se encontrei uma sanita com o assento sujo, pego em papel e limpo, para que a próxima senhora que utilize a sanita não se sinta enojada. Ao passear o jeco (como se diz no calão do Porto), não vou deixar os excrementos no passeio, para que alguém os calque. Se toda a gente assim pensasse, a pessoa que sujou o tampo e de seguida foi embora de ânimo leve, já não tinha sequer deixado a sanita naquele estado deplorável, para que a senhora a seguir a encarasse.

Há cerca de cinco anos, numa aula de código, alguém disse – “Pois, nós temos de ir atentos à condução dos outros.” – E rapidamente a instrutora corrigiu – “Não! Esse pensamento está errado. Cada um tem de estar atento à sua própria condução, para evitar acidentes.” – Portanto, antes de apontar o dedo aos outros e achar que somos perfeitos, devemos estar realmente atentos aos nossos atos pequenos e à forma como conduzimos o planeta para um futuro cheio de despreocupação, preguiça e indiferença total pelo outro.

 

Inês Cunha

Alma Negra

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