Como Não Ser Um Hater

Todos sabemos reconhecer um hater na internet. É alguém que demonstra o seu ódio perante outro alguém, ou um tema, ou uma marca, etc. Definir um hater é como definir um adjetivo. Não se trata de nenhuma espécie específica nem de pessoas com características semelhantes. Ser um hater é um estado de espírito. Já todos fomos haters nalgum momento da nossa vida, porque sê-lo passa por demonstrar desagrado perante alguma coisa e isso é muito fácil de acontecer no quotidiano dum indivíduo do século XXI. Nem que para isso seja necessário despir a falsa postura de “pessoa de bem” que muitos vestem para socializar e despertar a besta que está dentro de si, sedenta de ódio e violência.

Tenho visto muitas dessas “pessoas de bem”, como professores universitários, profissionais de rádio e televisão, CEO’s, a crème de la crème da nossa sociedade, a despir essa farda e a expor-se no mundo digital de uma forma crua e animalesca, mesmo apenas através de palavras. Ao contrário do que se pensa, as palavras valem muito e a internet nunca esquece.

 

Haters gonna hate

Captura de ecrã 2019-09-11, às 16.09.31

Não há nada de mal em ser um hater. O problema não é esse. Porque haters sempre vai haver. A grande questão é a forma como expomos as nossas opiniões em público, mesmo que seja no ciberespaço. Sempre que alguma publicação surge, seja em que rede for, é mais normal vermos comentários negativos do que o contrário, apesar de haver muitos fãs e gostos. Muitas vezes, surgem conversas agressivas e insultos desnecessários entre pessoas que nem sabem muito bem o que estão a escrever (já para não falar nos grandes pregos na gramática e total desinteresse por escrever sem erros).

Existem temas mais sensíveis, que despoletam mais facilmente conversas acesas, como a igualdade de género, o racismo, a poluição, o abandono animal, entre outros. A nossa inteligência emocional é completamente abafada por uma mistura de raiva e incredulidade que nos leva para o meio da selva. Se não houver calma, atenção aos próprios atos e se confrontarmos pessoas que já estão habituadas à selva, a probabilidade de nos humilharmos a nós próprios no processo de defesa de uma “causa nobre”, é muito grande. Resultado: chacota fria em cama de humilhação, com redução de educação e topping de insultos bárbaros.

 

Como não ser um hater

Em primeiro lugar, respire fundo três vezes.

De seguida responda à seguinte pergunta: “Vale a pena perder a paciência com este assunto?”

Depois responda também a esta questão: “Do meu círculo de amizades e colegas, quem poderá ler este comentário e perceber que me irritei com uma publicação numa rede social?”

 

“Uma das grandes vitórias que pode obter sobre qualquer pessoa, é vencê-lo com educação.
Josh Billings

 

Quando a fúria nos venda os olhos e nos incentiva a escrever um comentário agressivo e insultuoso, faz-nos também esquecer que a internet é algo a que toda a gente tem acesso nos dias que correm. Qualquer pessoa pode ler, comentar e partilhar. Viver as redes sociais é como andar na rua olhando por cima do ombro, porque a qualquer momento podemos ser tomados de assalto pela fúria de alguém que teve um mau dia, que se odeia a si mesma e que quer descarregar noutra pessoa a sua mágoa, para se sentir melhor consigo própria. Nenhum de nós quer ser essa pessoa, mas a realidade é que elas existem.

A melhor forma de expressar uma opinião é usar os princípios da educação e imaginar que a pessoa está à nossa frente. Qualquer um é corajoso atrás de um ecrã. Não insultar a inteligência, o gosto ou qualquer outro atributo do outro, utilizar uma linguagem delicada e ter fundamento na opinião que se está a dar. Dessa forma, não haverá hater que possa incendiar os comentários e, se o fizer, vai estar a cair na auto-humilhação que descrevo acima. Depois disso, os nossos amigos apoiantes desconhecidos encarregar-se-ão de entregar numa bandeja de prata a chacota fria. A refeição vinda do fosso mais negro do nosso inconsciente.

Na maior parte das vezes, não vale sequer a pena perder tempo sendo um hater. Só faz mal ao coração. 🙂

 

Inês Cunha

Alma Negra

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